Aprenda a manter a beleza da pele negra

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Cília Monteiro
Em meio à diversidade de raças encontradas no Brasil, destaca-se a beleza da cor de ébano encontrada na pele de muitos de seus habitantes. Com suas características específicas, a pele negra requer atenção e cuidados próprios. Para um tratamento adequado à cútis negra, é preciso que se conheçam os problemas que mais atingem esse tipo de pele, além de medidas que devem ser tomadas diariamente para a manutenção de uma epiderme saudável.

Nurimar Conceição Fernandes, professora da Faculdade de Medicina (FM) da UFRJ, relata que um dos problemas mais recorrentes em peles negras é a hiperpigmentação pós-inflamatória, que se caracteriza pela presença de manchas escuras. “O fenômeno de hiperpigmentação resulta de uma série de lesões cutâneas na pele negra: dermatoses como líquen plano, dermatites de contato, acne ou mesmo traumas, como picadas de inseto, escoriações e queimaduras superficiais”, informa Nurimar.

Segundo Nurimar, a hiperpigmentação residual é inevitável. Recomenda-se o uso de calça comprida para proteção contra picadas de insetos nos membros inferiores, o que nem sempre é seguido, devido ao clima quente. “Mais adiante, adolescente e adulto vão solicitar a resolução das ‘manchinhas indesejáveis’. Também devem ser evitadas formulações clareadoras mais agressivas e tópicos potencialmente irritantes”, sugere a professora. Ela ainda aconselha que se tome cuidado com a depilação.

A pele negra tem maior tendência à formação de cravos e acne cosmética. As peculiaridades do folículo piloso no negro, que são os pelos em espiral, favorecem o encravamento do fio em crescimento. “Nesse caso, o fenômeno inflamatório está reduzido, aparentemente. Mas o processo inflamatório existe e leva à hipercromia residual (manchas). O uso de produtos com altos teores de óleos e ceras facilita a acne cosmética. Associam-se hiperpigmentação residual e lesões queloidianas, mais comuns na pele negra”, explica Nurimar. Segundo ela, esse é o motivo da falsa impressão de que a acne prevalece em indivíduos negros.

De acordo com Nurimar, a hipopigmentação pós-inflamatória, caracterizada por baixa quantidade de pigmento, também é um dos problemas mais comuns na pele negra. Outro exemplo é a alopécia traumática, que causa perda de cabelo. “O quadro se localiza na orla do couro cabeludo, com progressiva e irreversível queda dos cabelos”, observa a especialista. O problema ocorre por contínua tração dos fios em penteados, alisamentos, uso de fivelas e rolos.

As discromias englobam distúrbios da pigmentação como, por exemplo, o melasma, o vitiligo e o albinismo. “Alguns autores consideram que o melasma é mais frequente em negros. É comum ser observado na gravidez ou com o uso de contraceptivos orais. A radiação ultravioleta parece ser o fato mais importante para o seu aparecimento, com predomínio no sexo feminino, embora possa ocorrer no sexo masculino”, relata a professora.

Nurimar informou que o vitiligo ocorre em todas as raças. No entanto, costuma ser mais importante na pele negra, pelo contraste de cores que causa. “Não é possível preveni-lo. Mesmo em tratamento, a ação medicamentosa se faz nas lesões instaladas e não impede o surgimento de outras lesões. Sua evolução é imprevisível”, aponta.

As estrias também costumam ser um problema frequente. “São uma atrofia da pele resultante da ruptura das fibras elásticas da derme. Ocorrem a partir da puberdade e durante a gravidez. Atingem mais ao sexo feminino, de 14 aos 20 anos de idade, porém não predominam na raça negra. Uma combinação de fatores parece importante: edemas, vícios posturais, gestação, obesidade, crescimento durante a puberdade, desenvolvimento muscular localizado e predisposição genética”, explica a especialista.

Cuidados

Para a prevenção de estrias na gravidez, Nurimar recomenda hidratantes do tipo óleo em água. “O tratamento das estrias depende do tipo: recentes ou tardias. São propostos inúmeros métodos, porém, até o presente momento, não há garantia de recuperação total de fibras elásticas rompidas”, relata.

A pele negra é seca e acompanhada por descamação esbranquiçada. Por isso, a escolha deve recair sobre sabonetes de pH neutro, com mínima atividade desengordurante: de aveia, mel ou óleo mineral. “Foram desenvolvidos outros agentes de limpeza mais suaves, diferentes quimicamente dos sabões, chamados detergentes ou agentes tensoativos. Os mais conhecidos são o lauril sulfato de sódio e lauril sulfato de amônio”, informa a professora.

É necessária a aplicação de filtros solares, que devem ser de amplo espectro, com fator 15, ou maior. “O emprego de fotoprotetores também evita a hipopigmentação, uma vez que a descamação impede o escurecimento causado pela radiação solar”, expõe a especialista.

A descamação na pele negra é mais comum e tem coloração acinzentada. “Este aspecto pode ser acentuado com o emprego de sabões de alta capacidade detergente, lavagens frequentes, uso de buchas ou esfoliantes, ou ainda hábito de banhos muito quentes. O uso de hidratantes não oleosos é recomendado sempre após o banho. Formulações com ureia e lactato de amônio são eficazes”, conclui Nurimar Conceição Fernandes.

Fonte: Olhar Vital/UFRJ


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