Jandira fala ao Globo sobre seus projetos para a cultura

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No último domingo (16), a futura secretária de Cultura do Rio foi a entrevistada de capa do Segundo Caderno do jornal O Globo. Jandira falou sobre suas lutas na área cultural enquanto deputada federal e os projetos para o próximo ano. Leia alguns trechos da entrevista.

Qual a sua característica que a habilitou ao cargo de secretária municipal de Cultura, já que a senhora é medica?

Jandira: Eu fui deputada estadual, foi meu primeiro mandato, e, quando o Collor acabou com a Embrafilme e com a Lei Sarney, a primeira lei de incentivo do ICMS do Brasil foi minha. Quando cheguei ao Congresso, meu primeiro projeto não foi na saúde, mas na regionalização da programação artística e jornalística, para colocar a produção independente na TV aberta. Eu fui vice-presidente da Frente de Defesa da Cultura e da Diversidade Cultural, uma comissão mista de Senado e Câmara, fui vice-presidente da Comissão de Direito Autoral, que deu nesta lei de direito autoral que existe hoje e não é perfeita, mas é um avanço em relação às outras. Tenho um projeto de aposentadoria especial para bailarinos, cantores líricos e músicos de orquestra. Ninguém pode dançar 30 anos. No mundo inteiro são 20 anos. Parece que eu caí de pára-quedas aqui só para ter um cargo, e isso não existe na minha história. Fui secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia em Niterói e o que deixei lá? Um centro de audiovisual.

Muito de seus eleitores se surpreenderam com sua decisão de participar da gestão Eduardo Paes.

Jandira: Eu construí uma linha de trabalho dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estou cedida à universidade para um trabalho de formulação e pesquisa na área de saúde. Tinha tomado a decisão de não participar do governo. Mas ele convidou o Partido para o governo e ofereceu esta secretaria. Pela abrangência e pelo peso estratégico que ela tem, eu tive que assumir. Mas não havia nada acertado antes.

Qual será sua primeira ação como secretária?

Jandira: Criar o segundo tempo da cultura nas escolas. Vamos fazer a integração entre cultura e educação. Por exemplo, a biblioteca vai virar mediateca. Será uma ação da Secretaria de Cultura junto com a de Educação, e a verba virá das duas, até porque a Educação é a prima rica.

A senhora conseguiu do prefeito o compromisso de aumentar a verba para a Cultura?

Jandira: O prefeito se comprometeu com isso, porque, sem orçamento, é difícil ampliar equipamentos culturais para o resto da cidade. Hoje, o orçamento é de R$ 78 milhões, o que não representa nem 1% do total da prefeitura. Queremos chegar a pelo menos 3%, que é uma meta bastante viável. O prefeito se comprometeu a dar um grande incremento no orçamento. Entretanto, não vamos nos limitar ao dinheiro do orçamento municipal. Em dois dias, sensibilizei 16 deputados da bancada do Rio e um senador e conseguimos R$ 8 milhões em emendas parlamentares.

Durante a campanha para a prefeitura, a senhora criticou a Riofilme, que não tem dinheiro para cumprir funções de distribuição e produção de filmes. O orçamento dela este ano foi de R$ 460 mil, cinco vezes menor que em 2004. O que fará com a Riofilme?

Jandira: Precisamos fortalecer a Riofilme como órgão de co-produção e distribuição de filmes. A Ancine tem um fundo de audiovisual que cresceu, e queremos apresentar projetos para esse fundo. Minha política é abrir contato com o Pólo Audiovisual, em Jacarepaguá.

A senhora também defendeu o hip hop durante a campanha

Jandira: A Casa do Hip Hop na Lapa já é um compromisso que o prefeito assumiu. O Centro de Referência da Capoeira também. A Lapa Legal, um corredor cultural que vai da Cinelândia até o Campo de Santana. O Rio tem que divulgar sua cultura para o mundo. Minha idéia é criar o Departamento de Relações Internacionais da Secretaria de Cultura.

Qual sua política para a rede municipal de teatros?

Jandira: A política é fomentar os teatros orçamentariamente, subsidiar a promoção do ingresso (a R$ 1, aos domingos), fazer editais e abrir produções novas.

O que acha da meia-entrada?

Jandira: Eu acho que as carteiras de estudantes têm que ser dadas pelas entidades estudantis reconhecidas, como a UNE e a UBES, e tem que haver fiscalização para não haver falsificação.

O que fará com a Cidade da Música, cujos gastos de manutenção poderão chegar a R$ 10 milhões?

Jandira: Uma das coisas que pedi ao secretário Ricardo Macieira é que não decida sobre a gestão da Cidade da Música, que será inaugurada em dezembro, antes da nossa chegada. Ela será, sim, a sede da OSB. O problema dela é a governabilidade. Não pode ser apenas com financiamento público. O comando dela tem que ser público, mas pode ter parcerias privadas ali.

Fonte: Alerta Rio – PCdoB RJ


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